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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Verdade Verdadeira

- Na hora de entregar os trabalhos sei que vocês ficam receosos, pois ninguém nunca sabe meus critérios de avaliação...

mente dos alunos: pois é professora, a gente nunca sabe.

mente da professora: pois é alunos, eu também não sei meus critérios!

- Hahahahahahahahahahahaha.

domingo, 13 de junho de 2010

Trecho extraído de O Guia do Mochileiro das Galáxias, volume 2, capítulo 6:

Essencialmente era isso que dizia o aviso: "O Guia é definitivo. A realidade está frequentemente incorreta."

Isso tem tido consequencias interessantes. Por exemplo, quando os editores do
Guia foram processados pelas famílias daqueles que tinham morrido por terem levado ao pé da letra o verbete sobre o planeta Traal (esse verbete dizia: "As Bestas Vorazes de Traal frequentemente fazem para os turistas uma boa refeição", em vez de "As Bestas Vorazes de Traal frequentemente fazem dos turistas uma boa refeição"), eles alegaram que a primeira versão da frase era esteticamente mais agradável, intimaram um poeta qualificado para declarar, sob juramento, que beleza é verdade, verdade é beleza, e esperaram assim provar que o verdadeiro culpado no caso era a própria Vida, por deixar de ser ao mesmo tempo bela e verdadeira. Os juízes concordaram e, num discurso comovente, sustentaram que a própria Vida era um desacato àquele tribunal e confiscaram-na prontamente de todos os presentes antes de saírem para uma agradável partida de ultragolfe noturno.

Genial.
Aliás, a série inteira é genial. De forma sempre bem humorada, Douglas Adams faz altas críticas ao ser humano e sua sociedade. Só nesse pequeno parágrafo tem mais do que eu consegui contar: a crítica ao sistema judicial, à idéia de beleza e vida? de verdade? Sei lá, meu cérebro até deu um nó. Mas enfim, o caso é que é muito bom.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Merda

É forte, mas é isso. O que dizer de uma obra em que a parte mais interessante é a descrição de um ser flácido ? Leite derramado é um erro do início ao doloroso fim. Provavelmente Chico Buarque nunca encarou um Aristóteles antes de se aventurar a escrever. É uma pena, porque isso evitaria a quantidade de merda que despeja em cada capítulo. O livro não tem inteligência e muito menos história. Ele tenta, de alguma forma tortuosa, seguir Machado - mas não é preciso dizer que não chega a lugar algum. O enredo parece ter sido construído da caçoa descontrolada de um Paulo Coelho iletrado. Os personagens se resumem a questão da problematização do leite - o mais complexo deles se qualificaria no mundo real como um idiota em estado comatoso.
Pode parecer crueldade, mas não é. Desde que avistei a celulite de Amy Winehouse , isso foi o que mais afetou minha irritação . Só consegui terminar o livro porque tinha a perspectiva de reler um Proust assim que chegasse ao fim. E se a história tivesse duas páginas a mais eu acabaria acreditando que a Paris Hilton é uma pessoa comportada . Se ao menos Chico Buarque escolhesse por caminho o Realismo , o sacrifício seria menor e o supremo esforço de acompanhar tal prosa acabaria indo menos estrago aos meus sofridos neurônios.
Leite derramado tenta nos abandonar a um buraco sem fundo, feito de inteligência e cercado de galhos vãos.

Esse texto foi gerado automaticamente pelo Gerador de Crítica Literária. É muito divertido brincar com esses geradores! rsrs O texto fica legal no fim das contas! E eu nunca li Leite Derramado... rsrsrs

sábado, 20 de junho de 2009

Marília

- Dirceu, ei, experimenta...
- Na veia?
- É, na veia.
- Hum...
- Vem.
- Tá.
- Assim.
- Isso não dá doença?
- Não, acho que não, limpei tudo, você viu, pus fogo também, é assim que se faz.
- Isso lá é verdade.
- Pois então.
- Hum...
- Não precisa ter medo, é só a picada.
- Nunca pensei...
- Ah, a vida nos proporciona inúmeras oportunidades.
- É...
- Olha! Sujou aí.
- Não, não, é só sangue. Normal, não é?
- Acho que sim.
- ...
- Ei, cara...
- ...
- ... você tá ficando roxo...
- ...
- Há, há! Olha o teu lábio, tá parecendo cravo murcho...
- ...
- ... Oh, não vomita que eu tenho nojo...
- ...
- ... Há, há! Tinha ar na seringa... Hum...
Nossa, todos os teus músculos estão tremendo...
- ...
- ... Olha, daqui a pouco uma bolinha transparente vai fazer "plop" no teu coração.


BONASSI, Fernando.
O amor em chamas (pânico, horror e morte). São Paulo: Estação Liberdade, 1989.